terça-feira, março 09, 2004

E vão doze

Ainda a propósito das eleições gregas, o PÚBLICO observa que, depois dos resultados de domingo, a vitória de Caramanlis e a derrota de Papandreou vieram alargar "o domínio da direita na União Europeia, onde depois de uma "era rosa" já só restam três executivos de esquerda, na Alemanha, Grã-Bretanha e Suécia."
Está bem observado, sim, senhor. Na UE dos 15, já só faltam três.

"Contras & Contras"

Escreve-nos um leitor amigo a informar que, actualmente, o programa favorito de Mário Soares não é, afinal, o "Prós & Prós", como havíamos sugerido. Antes mais o "Contras & Contras".
É. Na verdade, é mais isso. Fica feita a correcção.
O que não há na mesma é debate.

segunda-feira, março 08, 2004

Afinal, o tombo foi maiorzinho

Concluída a contagem dos votos na Grécia, os resultados confirmaram a vitória do centro-direita com maioria absoluta e um tombo ainda maior dos socialistas do PASOK.

Costa Caramanlis, novo Primeiro-Ministro, alcançou 45,5% e 165 lugares no Parlamento (antes a "Nova Democracia" tinha 125), enquanto os socialistas liderados por Papandréou se ficaram pelos 40,5% e 117 deputados (antes tinham 158).
O PASOK estava no poder há 11 anos. Como diria Guterres, "é a vida"!...
[ Le Monde | El Mundo | Corriere della Sera ]

Federalismo al Prodi

O grupo liberal no Parlamento Europeu (ELDR) anda em manobras para tentar alargar-se, espreitando eventuais dissidências de outros grupos. Até aqui, tudo normal.
Mas não é que as manobras são empurradas pelo próprio presidente da Comissão Europeia, Romano Prodi? O EUobserver.com explica que o projecto visa, nomeadamente, provocar dissensões no PPE e dá conta de uma reunião entre Prodi, o líder liberal Graham Watson e o presidente da UDF francesa, François Bayrou, com vista à constituição de "um novo partido centrista federalista" a nível europeu.
E esta hein!? Não é um espanto?
Prodi, há meses, já tinha surpreendido meio mundo ao intervir directamente na política italiana, projectando-se como líder alternativo da esquerda. Agora, insiste em passar das marcas.

Eu não fui...

Anuncia, em título, a agência LUSA, em despacho de Bissau: Kumba Ialá em liberdade, mas desconhece-se quem deu ordem. E acrescenta o despacho: "O ex-presidente guineense Kumba Ialá gozou na segunda- feira o seu primeiro dia de liberdade desde que foi destituído no golpe militar de 14 de Setembro de 2003, desconhecendo-se porém quem deu oficialmente a ordem para que tal acontecesse."
É caso para dizer: eu não fui...
O blog do Caldas deseja ao povo-irmão da Guiné-Bissau a melhor sorte depois das próximas eleições e aquele futuro de normalidade e progresso a que todos aspiram.

O "prós & prós"

Está visto. Mário Soares já não gosta do "Prós & Contras". Hoje, pelos vistos, do que gosta mesmo é do estilo "Prós & Prós".
Face ao desafio, cordato e democrático, do presidente do CDS, Soares não perdeu tempo: recusou o debate. Não resistiu até a afastar a proposta com um tom altivo. Majestade é mesmo assim...
A verdade é que a altivez ainda não é argumento. E a verdade, verdadinha é que... fugiu ao debate. Ponto final.
Paulo Portas pôde concluir: «Está convidado para um debate, se recusar, não tem autoridade nem credibilidade para nos criticar.» E salientou: «O doutor Mário Soares ataca mas recusa o debate, ofende por vezes mas tem receio do confronto democrático. Em democracia os problemas não se resolvem com um pingue-pongue de frases mas debatendo ideias. Os portugueses saberão distinguir entre quem se disponibilizou para debater ideias e quem não quis.»

Ministros em todo o País para assinalar 2 anos de maioria

"No próximo fim-de-semana, o PSD e o CDS-PP vão enviar pelo menos um ministro ou um secretário de Estado a cada distrito do País. Esta foi a forma que os dois partidos da coligação encontraram para assinalar o segundo aniversário da vitória nas eleições legislativas de 17 de Março de 2002." (Correio da Manhã, 6-3-04)
No sábado, dia 13, o Ministro de Estado e da Defesa Nacional, Paulo Portas, estará em Aveiro e o Ministro da Segurança Social e do Trabalho, Bagão Félix, em Viseu. Maria Celeste Cardona, Ministra da Justiça, representará o Governo na cidade de Beja.

Na Grécia, a esquerda... catrapum!

Os socialistas perderam e o centro-direita ganhou as eleições na Grécia. É mais um país da União Europeia em que o eleitorado vira claramente à direita.
Segundo as previsões, o velho PASOK ficou-se pelos 40% e deverá ter 120 lugares no parlamento, enquanto o "Nova Democracia", o partido do novo Primeiro-Ministro, Costas Caramanlis, obteve 45% dos votos e deverá eleger 160 deputados, o que lhe garante uma maioria absoluta. O Parlamento grego dispõe de 300 assentos.
[TSF1, TSF2, Le Monde, International Herald Tribune, Financial Times]

Vai um debate, Dr. Soares?

Paulo Portas desafiou domingo no Porto Mário Soares para um debate televisivo "à velha maneira", para "discutir o atlantismo, Iraque, globalização, défice, direitos sociais, Constituição, competitividade, tudo".

"Tenhamos um debate de ideias sereno. É assim que em democracia as coisas se resolvem. Venha daí, doutor Mário Soares", desafiou Portas, que falava no arranque das comemorações do 30º aniversário do CDS/PP.
[LUSA, Diário de Notícias, Correio da Manhã, RR]

Obsessão ou falhas de memória?

Mário Soares, prosseguindo a sua obsessão com o partido dos democrata-cristãos, escreveu, a propósito do 30.º aniversário da fundação do CDS tratar-se de uma formação partidária que «pôs em causa a República, porque tinha votado contra a Constituição».
No Porto, a mais este ataque injustificado, respondeu o presidente do CDS, Paulo Portas. Primeiro, estranhando que alguém possa criticar nesses termos o supremo exercício da liberdade e da democracia: o direito de discordar e ... de o dizer. Depois, recordando que, pouco depois desse voto no fecho da Assembleia Constituinte, o Primeiro-Ministro Mário Soares... fez um governo de coligação com o CDS. Foi o Governo PS/CDS, o II Governo Constitucional, em 1978.
Em que ficamos, na verdade: o que não fazia diferença em 1978, quando Soares mandava, já está mal em 2004, quando Soares não manda?

Um partido de Abril, um partido de Novembro

Depois de referir que o programa das comemorações dos 30 anos do partido cobrirá todo o ciclo da Revolução, de 25 de Abril de 1974 a 25 de Novembro de 1975, Ribeiro e Castro, falando como coordenador da Comissão Organizadora, acrescentou:
"O CDS é um grande partido da democracia e da liberdade. A sua história é sinal disso mesmo: o sinal da democracia, o sinal da liberdade. Mais: o CDS é o sinal do triunfo da democracia, o sinal do triunfo da liberdade. Um partido de Abril, um partido de Novembro.
Um partido que tem sido marca da diferença e semente da alternativa. Um partido diferente, um partido doutrinário, um partido de valores. Um partido de referência. Um partido que não tem, nem propõe, nem impõe uma ideologia, mas que lê e procura interpretar e influenciar a realidade à luz integradora dos valores do humanismo cristão e da sua visão própria da pessoa, da comunidade, da sociedade e do mundo. Um partido conservador e democrata-cristão.
Um partido doutrinário, isto é, partido de sempre e partido moderno. Um partido que tem longas raízes, mas que olha sempre para diante. Um partido que sabe e que lembra, mas um partido que ambiciona e que quer: melhor para Portugal; melhor para a Europa e para o mundo. É esse partido que vamos celebrar, com orgulho e grato sentido de pertença: aquele “bom partido”, no dizer dos populares anónimos que acorriam às nossas sessões nos idos de 74/75."

E concluiu:
"Muitas vezes, por causa de ser essa diferença, o CDS, ao longo destes 30 anos, teve que sofrer a incompreensão, a discriminação e ataques injustos e violentos. Ontem e hoje. Nunca tememos. E não cedemos a nenhuma maré dos outros. Antes influenciámos a corrente e gerámos outras marés. E, muitas vezes também, por transportar a alternativa, o CDS mostrou ter razão antes de tempo. É isso que vamos celebrar e recordar. Com a vontade, a alegria e o sonho de ir mais além. Por Portugal e pelos portugueses."

Vencemos o cerco


"Ao evocarmos efemérides de há 30 anos, recordaremos necessariamente muitos momentos de perseguição e de cerco. Os extremistas de esquerda nunca nos fizeram a vida fácil. E têm alguma razão nisso... Eles sabem que, connosco, o materialismo, o totalitarismo e a desumanidade das grandes fantasias não avançam e que, connosco, não imporão a sua tirania: nem na rua, nem no poder, nem no pensamento.
Mas não recordamos isso, porque seja um título de glória. É-o, na verdade, mas não é por isso. Recordamo-lo apenas porque foi mesmo assim: é uma realidade incontornável. Mas lembramo-lo com sentido de futuro, olhos para lá do horizonte, asas para voar mais alto, vigor para seguir sempre o caminho.
É certo que nos quiseram enclausurar num cerco. Mas nós vencemos o cerco. É certo que nos quiseram boicotar e destruir. Mas nós não deixámos. E cá estamos há 30 anos já, com a determinação de outros 30 anos mais e muitos mais a seguir.
As comemorações dos 30 anos começam hoje, aqui, no Palácio dos Pestanas, para representar isso mesmo: não quiseram deixar-nos fazer o nosso I Congresso, no Palácio de Cristal. Mas nós fizémo-lo mesmo, aqui mesmo, nesta sala, e seguimos em frente, por cima do cerco, para lá do muro, para a estrada que é nossa."

Palavras de Ribeiro e Castro, na sessão de abertura das comemorações dos 30 anos do partido.

Gratidão pelos fundadores e por todos os que construíram e serviram o partido

Na abertura das comemorações dos 30 anos do CDS, no Porto, depois de referir e sublinhar "as quatro marcas identitárias do CDS - Democracia e Liberdade, Humanismo, Democracia-cristã" - e de referir os lemas que orientará todo o programa das celebrações até final do ano - "30 ANOS POR PORTUGAL" e "O FUTURO TEM UMA HISTÓRIA" -, Ribeiro e Castro referiu: "Este programa será permanentemente atravessado por um sentimento de gratidão. Gratidão pelos fundadores: o primeiro de todos eles, Diogo Freitas do Amaral, e o mais querido e carismático dos nossos históricos dirigentes, Adelino Amaro da Costa. E gratidão por todos quanto serviram o partido e, em nosso nome, Portugal, ao longo destes 30 anos, nas mais diversas funções de serviço público e que integram o vasto “Quadro de Honra” do CDS. Gostávamos de os ter a todos connosco, mas respeitamos todos e as opções de cada um e não esquecemos ninguém. Não esquecemos nada, nem ninguém. A nossa casa é a nossa casa."

domingo, março 07, 2004

I Congresso do CDS - Fevereiro 1975 (2)


Violentamente boicotado pela extrema-esquerda e impedido de continuar ao fim de escassas horas de reunião no Palácio de Cristal, o I Congresso concluir-se-ia algumas semanas depois, a 21 de Fevereiro de 1975, numa sessão clandestina e à porta fechada realizada também no Porto, na sede do CDS de então, o Palácio dos Pestanas, à Praça da República. Aí seria eleita a primeira Comissão Política, tendo como Presidente o principal fundador, Prof. Diogo Freitas do Amaral, e aprovado o primeiro programa do partido.
Este I Congresso do CDS foi o primeiro Congresso de um partido democrático legalizado em Portugal, depois do 25 de Abril. O CDS, fundado em 19 de Julho de 1974, vira a sua legalização concluída perante o Tribunal de Justiça em 13 de Janeiro de 1975. (Antes do CDS, apenas o PCP conseguira a sua legalização.)


É exactamente no mesmo Palácio dos Pestanas, hoje sede do Governo Civil do Porto, que, para homenagear o histórico I Congresso do CDS, se iniciam as comemorações dos 30 anos do CDS-PP.

I Congresso do CDS - Janeiro 1975 (1)




O I Congresso do CDS abriu no Porto, no Palácio de Cristal, em 25 de Janeiro de 1975. Na foto, ao centro, Joaquim Barros Polónia, tomando posse depois de eleito como o primeiro Presidente do Congresso da história do CDS. Ao seu lado, aplaudindo, Adelino Amaro da Costa, na altura secretário-geral do CDS. Na foto, reconhecem-se ainda Mário Gaioso Henriques e João Porto (os 3º e 4º a partir da esquerda) e Silvério Martins (o 4º a contar da direita).

Arranque das comemorações dos 30 anos do CDS-PP

Símbolos religiosos: a França anda para trás

Com a devida vénia.

Cartoon de BURKI. Fonte: Courrier International.

Moção de censura

Não, não é ao Governo. São coisas entre eles.
Noticia a imprensa que "um grupo de algumas dezenas de militantes vai analisar, nas próximas semanas, a hipótese de apresentar uma moção de censura ao líder da distrital do Porto do PS, Francisco Assis. O eurodeputado Manuel dos Santos não gostou de ficar no 13.º lugar da lista às Europeias e contesta a candidatura de Assis."

Olhando bem, o dirigente socialista não está com aquele ar, entre o sonso e o comprometido, de quem está mesmo a pedi-la?

Homosexualidade e adopção - rigor na polémica

"Por muito compreensível que seja o desejo que exprimem alguns pares de homossexuais - no sentido de, pela via da adopção, chegarem a ter em comum o filho que a natureza lhes nega -, tal possibilidade não lhes é reconhecida no Direito português, nem o deverá vir a ser. Essa hipótese envolveria, de facto, um retrocesso de séculos na penosa evolução sofrida pelo instituto da adopção, que hoje se encontra finalmente ao serviço do interesse do adoptado, e já não ao serviço dos interesses religiosos, políticos, patrimoniais ou afectivos dos adoptantes." Este é um excerto de um artigo de Rita Lobo Xavier, Professora da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, publicado na edicão de hoje do PÚBLICO e que, aí, pode ser lido na íntegra. A articulista conclui: "Registamos com espanto o surgimento de novos preconceitos, novos dogmas e novos anátemas naqueles que reivindicam o direito de adoptar para os homossexuais. São, em primeiro lugar, preconceitos contra a família (a que chamam agora "tradicional"). São, depois, afirmações sem base científica verificável e credível, como a de que "as sexualidades são culturalmente adquiridas". Por último, não deixa de ser surpreendente o anátema contra quem, a este propósito, utiliza os conceitos de "natural" ou de "normal", quando é certo que são exactamente esses os conceitos que figuram na Constituição e na lei."

sábado, março 06, 2004

VI Congresso - Fevereiro 1985




Foi em Aveiro que, em 22 a 25 de Fevereiro de 1985, reuniu o VI Congresso do CDS. Francisco Lucas Pires seria reeleito como Presidente do partido. Na foto, Alfredo Azevedo Soares, que era o Presidente da Comissão Directiva, está no uso da palavra. Na primeira fila da mesa, da esquerda para a direita, Adriano Moreira, Lucas Pires e Vieira de Carvalho, que era o Secretário-Geral.