quarta-feira, março 24, 2004

Emoção em Madrid

Vários relatos dão conta da profunda emoção com que foram vividas hoje, em Madrid, as cerimónias fúnebres das 190 vítimas mortais dos atentados terroristas do passado dia 11 de Março.
As cerimónias contaram com a presença de numerosos chefes de Estado e de Governo, bem como de outros altos dirigentes políticos da Europa e do mundo. Portugal esteve representado pelo Presidente da República, Jorge Sampaio.

[ El Mundo | ABC | TSF ]

Relações transatlânticas

Logo à noite, com início pelas 21:15 horas, o ministro de Estado e da Defesa Nacional, Dr. Paulo Portas, fala sobre "As Relações Transatlânticas". A conferência realiza-se no Instituto Dom João de Castro, na Rua Dom Francisco de Almeida, 49, ao Restelo, em Lisboa. Inicialmente prevista para tratar do tema "As Relações Transatlânticas e a Indústria de Defesa", a conferência, face à actualidade, versará sobre o tema "As Relações Transatlânticas e a Ameaça do Terrorismo".
O Presidente do Conselho de Fundadores do Instituto Dom João de Castro, promotor da iniciativa, é o Prof. Doutor Adriano Moreira. O Presidente da Direcção o Engº. Miguel Anacoreta Correia.

Cuba: a maior prisão de jornalistas no mundo (2)

PEDRO ARGÜELLES

PEDRO ARGÜELLES MORÁN é outro dos 27 jornalistas presos pelo regime castrista, a ditadura comunista em Cuba. Foi detido a 20 de Março de 2003, na sua casa, em Ciego de Avila. Era Director da CAPI (Cooperativa Avileña de Periodistas Independientes) e o nono dos, na altura, 11.000 signatários do "Proyecto Varela", uma petição à Assembleia Nacional de Cuba para reclamar, nos termos constitucionais, um referendo sobre as liberdades públicas. Foi condenado a 20 anos de cadeia. Cumpre pena numa prisão a 270 km de sua casa. O seu crime: escrever. Agravante: querer ser livre.

À atenção do Dr. Carvalhas - ver MONÓLOGO DEL CULPABLE - um grito à atenção do PCP

[ Informação em francês | Informação em inglês | Informação em espanhol ]

A manipulação do terrorismo

«A condenação severa do Governo espanhol é desproporcionada em face da excepcionalidade da situação. Sobretudo se tivermos em atenção que ela passa pela desculpabilização das acções inacreditáveis dos extremistas de esquerda em cima da hora do voto. Para além de se conjugarem com a chantagem do terror, a tentativa de inverter o ónus dos atentados, a manipulação das emoções e a intimidação dos eleitores, foram, em si mesmas, um aproveitamento terrorista do terrorismo. O PSOE não é mais responsável do que o PP pelos atentados, mas a sua vitória ficou manchada pela interferência do terrorismo e pelo inegável aproveitamento dos extremistas. E isso é que fica a marcar a gravidade, a uma escala mundial, do que aconteceu nestes dias fatais. A cor partidária aqui não pode importar. Se o caso fosse uma vitória conservadora sobre Blair nas mesmas circunstâncias, o juízo teria de ser exactamente o mesmo.»

[ excerto do artigo de Manuel Queiró no "Público" de hoje ]

Eleições no CDS-PP de Faro

Estão marcadas para 24 de Abril eleições para os órgãos distritais do CDS-PP no Algarve. São conhecidas já três candidaturas. [ Correio da Manhã ]

A encenação

«Se a intervenção espanhola no Iraque fosse, em si, uma causa da derrota de Aznar, o PP nunca teria sido favorito nas sondagens até à véspera das eleições. (...) A questão do Iraque só se tornou eleitoralmente explosiva pela associação com a chamada «mentira de Estado» que a esquerda conseguiu, com incrível rapidez, improvisar, encenar e fazer alastrar no dia 13 de Março.»

[ excerto do artigo de Vasco Graça Moura no DN de hoje ]

Mobilidade europeia de emprego

A delegação em Portugal da Comissão Europeia, no Edifício Jean Monnet, em Lisboa, é palco, no próximo dia 26 de Março, pelas 15:00 horas, de uma acção de divulgação da rede EURES (Serviços Europeus de Emprego) promovida pelo deputado europeu do CDS-PP, José Ribeiro e Castro, que foi o relator designado pelo Parlamento Europeu a respeito do Relatório da Comissão Europeia sobre as actividades EURES. Na altura da discussão do seu relatório e da aprovação da Resolução do Parlamento Europeu, o deputado europeu referiu, nomeadamente:

«O EURES é uma rede de redes constituída por cerca de 500 euroconselheiros, pelos organismos e parceiros públicos e associativos, e oferece uma valiosa possibilidade de consulta directa via Internet em rede aberta. Visa promover a transparência do mercado de trabalho europeu, com funções de informação, de aconselhamento e de ajuda à colocação. Abrange não só a União, mas o Espaço Económico Europeu, abarcando actualmente 17 países. Em suma, visa facilitar o exercício efectivo do direito à livre circulação de trabalhadores e favorecer a mobilidade, que, por nós, entendemos não como um fim político em si mesmo, mas a necessidade de responder a solicitações voluntárias e espontâneas das pessoas
Mas pouco sentido faz tudo isso se, na base, as pessoas não souberem da sua existência. A primeira prioridade, portanto, é promover e divulgar


A accção da próxima sexta-feira, em Lisboa, visa nomeadamente prosseguir a promoção e divulgação deste importante serviço europeu, tanto mais que, no entretanto, algumas das principais recomendações do relatório e da Resolução do Parlamento Europeu já foram acolhidas e desenvolvidas pela Comissão Europeia. Destaque para o novo portal multilingue e para os progressos no quadro específico do chamado EURES-T ou "Parcerias transfronteiriças EURES".
A iniciativa do próximo dia 26 de Março conta com a participação da Secretaria de Estado do Trabalho, do IEFP (parceiro português da rede EURES) e de uma técnica da Comissão Europeia, Drª. Carla Rafael.

[ Jornal Digital ]

Pérolas de Louçã - III

«A revolução socialista estava inscrita na mais simples decisão dos trabalhadores se organizarem por si próprios e de se tornarem cidadãos livres, que deixam de delegar o seu poder e que o assumem. Mais ainda, provaram que essa via era a única que se opunha com eficácia à reorganização do poder da burguesia.»

Francisco Anacleto Louçã, "Ensaio para uma Revolução", Cadernos Marxistas, 1984

terça-feira, março 23, 2004

Cuba: a maior prisão de jornalistas no mundo (1)

VÍCTOR ARROYO

VÍCTOR ROLANDO ARROYO CARMONA é um dos 27 jornalistas presos pelo regime repressivo de Fidel Castro. Foi detido a 18 de Março de 2003, na sua casa, em Pinar del Río. É um jornalista independente, inscrito na UPECI (Unión de Periodistas y Escritores Cubanos Independientes) e que colaborava no CubaNet e com a Radio Martí. Tem 51 anos de idade. Em 30 de Março de 2003, foi condenado pelo Tribunal Popular da provícia de Pinar del Río a 26 anos de cadeia, uma das condenações mais pesadas contra um jornalista independente. Fora pedida a prisão perpétua. Cumpre pena numa prisão a 1.100 km de sua casa. O seu crime: escrever. Agravante: querer ser livre.

À atenção do Dr. Carvalhas - ver MONÓLOGO DEL CULPABLE - um grito à atenção do PCP

[ Informação em francês | Informação em inglês | Informação em espanhol ]

Forças Armadas: novo regulamento de incentivos

O Ministério da Defesa vai avançar com uma campanha para informar os jovens sobre as vantagens de ter um contrato com as Forças Armadas. A campanha vem na sequência da aprovação de um novo regulamento de incentivos, tendo o ministro de Estado e da Defesa Nacional, Paulo Portas, sublinhado quais as principais medidas adoptadas pelo Conselho de Ministros: "É importante que neste momento um jovem que procura o seu posto de trabalho saiba que nas Forças Armadas pode ter um bom salário, pode ter saída profissional para a GNR, pode ter ajudas na transição para o mercado civil, pode subir na carreira dentro da própria instituição militar, tem ajudas em termos sociais, consegue compatibilizar com os estudos".

[ RR | Diário de Notícias | Jornal de Notícias | TSF ]

Três presentes para Ana Sá Lopes

O blog do Caldas tem todo o gosto em apresentar os seguintes três cartoons em especial atenção da jornalista Ana Sá Lopes, editora de Nacional do jornal "Público".







São de um cartoonista libanês, Jabra Stavro, colaborador dos jornais de Beirute, Ad-Dabbour e Al Balad, onde foram publicados (respectivamente, de cima para baixo) nos passados dias 18, 19 e 22 de Março.
São cartoons compreensivelmente dominados pelo tremendo drama do terrorismo e pelo conflito no Médio Oriente.
Será Jabra Stavro um "totalitário" no sábio critério de Ana Sá Lopes? (Ver O sectarismo editorial.)

A Guerra das Esquerdas

A nossa EQT (a Esquerda-que-temos) anda em polvorosa. Chamam-lhe “A Separação das Águas”. A coisa está brava e... promete.
O blog do Caldas tropeçou, divertido, na acesa discussão que anda por aí, na blogosfera, entre esquerdistas da mais variada índole, a propósito da morte do líder terrorista Ahmed Yassin da organização terrorista Hamas, às mãos do exército israelita e seguindo a política do Governo de Ariel Sharon. (Diga-se de passagem que o nosso blog não é partidário de soluções extremas, como a que foi utilizada. Embora lembre que o "tetraplégico" Yassin era o chefe máximo de uma organização de assassinos bombistas que liquidou fria e sanguinariamente milhares de homens, mulheres e crianças israelitas. Para Israel, o terrorista Ahmed Yassin era um outro Osama Bin Laden.)
Dito isto, voltemos à tal discussão entre bloggers esquerdistas.
Tudo começou no Glória Fácil, com um post do jornalista do "Público", João Pedro Henriques, assumidamente de esquerda, em que a dada altura se afirma: «... no assassinato do chefe do Hamas não há o assassinato de um inocente. Era tudo menos 'inocente', o senhor Yassin. Não foi um acto de terrorismo de Estado - foi um acto de guerra. Um acto de guerra eficaz, porque pela liderança se debilitam exércitos. Convinha, por isso, uma separação de águas, à esquerda: não quero a companhia de quem lamenta o 'assassinato' do senhor Yassin. A 'esquerda' que tem pena do tal líder do Hamas porque andava de "cadeira de rodas' não tem autoridade nenhuma para andar a apanhar boleias da vitória do PSOE. Essa esquerda dá mau nome à decisão espanhola.»
Caiu o Carmo e a Trindade! - ou o Rato e a Betesga...
E sucedem-se os ataques fratricidas e os descabelados insultos entre os mais diversos blogues de esquerda, num tom que vem descendo de nível. Tanto, tanto que já vai abaixo da sub-cave!
Calma, camaradas! Demonstrem espírito democrático, discutam com alguma elevação...

Parabéns!

Ao primeiro-ministro, Dr. José Manuel Durão Barroso, porque hoje faz 48 anos.
Ao ministro da Defesa, Dr. Paulo Portas, porque apresentou ontem um ambicioso plano de incentivos à profissionalização das Forças Armadas.
Ao ministro da Presidência, Dr. Morais Sarmento, porque inaugurou ontem a segunda Loja do Cidadão para estrangeiros.
Ao Governo, na pessoa do Dr. Bagão Félix, porque apresentou ontem os “100 compromissos para uma política da Família”.
Outra vez ao Governo no seu todo, porque continua a cumprir as promessas eleitorais.
Ao vereador do CDS/PP na Câmara Municipal de Lisboa, Dr. António Carlos Monteiro, porque lançou recentemente o “Lx Alerta”, um programa que permite aos lisboetas reclamar de imediato pequenas obras e limpezas na zona onde moram. Através do número 808.20.32.32, os lisboetas podem pedir uma intervenção pequena, mas rápida.
Ao Dr. Francisco Anacleto Louçã, porque, ao que pudemos apurar, ainda não disse hoje, até esta hora, nenhum disparate. Nem de grande monta, nem de pequena monta. Absolutamente nenhum.

Sobe & Desce

A SUBIR

Jorge Sampaio
Podemos não concordar com algumas das suas opiniões e com muitos dos seus vetos, mas temos de convir que o Presidente da República tem sido uma voz serena e representativa da opinião da maioria dos portugueses. Contra o desvairo habitual da nossa EQT (a Esquerda-que-temos), contra as vozes insensatas das esquerdas reunidas, incluindo a de um dos seus antecessores no cargo, que exigem a retirada das tropas aliadas do Iraque e propõem o diálogo com os terroristas, Jorge Sampaio declara o óbvio para quem é responsável: "estamos bem onde estamos", não há que retirar nem um soldado, seja qual tiver sido a opinião inicial sobre a intervenção. Quanto ao terrorismo, foi lapidar: "a melhor maneira de neutralizar as ameaças terroristas é recusar o império do medo e impor o império da lei". Aplausos.

"Correio da Manhã"
Ora aqui está um jornal que, sendo popular, não deixa o rigor e a deontologia por mãos alheias, cumprindo o seu papel de informar. Pode ser crítico - e quantas vezes o é em relação ao Executivo PSD/CDS - mas reserva a opinião para o respectivo espaço e vai dando as mais importantes notícias do País em que vivemos. Merece só por isso estar perto do topo do nosso Sobe&Desce - e, já agora, merece também muitos parabéns e muitos mais anos de vida pelos 25 que já cumpriu ao serviço desta democracia em que todos gostamos de viver.

"Expresso"
Foi certamente um acto isolado, corajoso, único. Mas temos de reconhecer que o "Expresso" conseguiu esta semana demonstrar que também sabe ser imparcial. Por um lado, informou que o ministro da Defesa presidiu à activação do novo Comando Conjunto de Lisboa da NATO. Com uma fotografia pequena e num espaço meio escondido, é verdade, mas não deixou de publicar a notícia que comprova uma vez mais a centralidade atlântica de Portugal. Por outro lado, o jornal pôs o seu próprio colunista, Mário Soares, no último lugar dos "altos&baixos", a propósito da proposta de diálogo com os terroristas da Al-Qaeda (ver Negociar com bin Laden? Compreender bin Laden!!!?). Será apenas uma excepção a confirmar a regra?


A DESCER

Manifestações "pela paz"
Quando O blog do Caldas começou a ler e a ouvir dizer que iriam ter lugar, no sábado passado, manifestações "pela paz" em todo o Mundo, pensou desde logo que se trataria de protestos contra os repugnantes atentados terroristas em Madrid, contra o selvático assassinato de mais de 200 pessoas inocentes no país vizinho. O espanto foi, por isso, enorme quando constatámos que, afinal, as tais "manifs" se destinavam a protestar apenas contra a guerra no Iraque e a "permanência" das tropas "ocupantes" em Bagdade. Em suma, a favor da paz pôdre das esquerdas radicais. O escasso número de manifestantes em Lisboa e no Porto, menos de cinco mil gatos pingados, confirma a histórica sabedoria do povo português.

Ana Sá Lopes
O jornal da Sonae é cada vez mais um ógão oficial dos apaniguados do Bloco de Esquerda, mas, ao sábado, exagera. Ana Sá Lopes, então, é um caso perdido de dogmatismo politicamente correcto e parece julgar-se o oráculo - talvez a orácula - da democracia. Por este caminho... está aqui, está candidata a deputada no partido light de Francisco Louçã. À falta de notícias, esta semana resolveram arranjar um irrelevante protesto de pretensos representantes da GNR contra o ministro da Defesa - e assim o poderem pôr "a descer". É a tal da imaginação-ao-poder levada ao seu extremo ridículo.

Dr. Francisco Anacleto Louçã
Como podem verificar através da leitura diária das "Pérolas de Louçã", o homem só muito recentemente descobriu - se é que de facto descobriu - as virtudes da democracia ocidental. Não é preciso ir até aos 19 anos do Grande Líder do Bloco de Esquerda para encontrar elogios à ditadura do proletariado e à tomada violenta do poder pela "classe operária". Estamos cada vez mais fascinados com o pensamento profundo do mais recente reconvertido democrata português.

Política de família: 100 compromissos do Governo

O primeiro-ministro apresentou ontem "100 compromissos para uma política de família", um pacote de medidas que Durão Barroso pretende levar à prática até 2006.
Entre elas, está o apoio às famílias que mantenham os idosos em casa, a aprovação do regime jurídico da reforma parcial (que permitirá que as pessoas se reformem mais cedo, embora recebendo menos) e a adopção de medidas que permitam o trabalho a tempo parcial na Administração Pública, por forma a permitir que os pais possam dedicar mais tempo aos seus filhos.
O pacote inclui também a prioridade às crianças no acesso às creches nos casos em que pais estejam a trabalhar, a redução do custo dos manuais escolares e a possibilidade da sua reutilização. A promoção de formação credenciada de amas e ajudantes familiares, a criação de Bancos de Voluntariado (para promover o voluntariado de apoio à família), a introdução da tarifa familiar de água e a melhoria das acessibilidades (tendo em atenção as pessoas com deficiências, idosos e equipamentos destinados a crianças) são outras medidas previstas.

Foi também anunciada a intenção do Governo de criar incentivos para a contratação de mulheres desempregadas nos 12 meses seguintes ao termo da licença da maternidade, abrir Centros de Noite para idosos e promover o mecenato familiar.
Na apresentação participou, nomeadamente, o ministro do Trabalho e da Segurança Social, Bagão Félix, que tem a tutela da política de família.

[ Público online | RR | Correio da Manhã | Diário de Notícias | O Primeiro de Janeiro ]

Perólas de Louçã - II

«Este MFA representava de algum modo o transitório e impossível equilíbrio entre esta nova legitimidade social e a legalidade burguesa. O seu confronto era inevitável, e uma política que o preparasse conscientemente para conquistar o máximo de posições para os trabalhadores e a sua luta, só podia ser a que desenvolvesse dois aspectos que a realidade ia revelando: esses organismos de auto-organização das massas, libertando-os das ilusões quando ao papel do MFA ou da 'democracia nacional', e permitindo assim a sua caminhada para se assumirem como poder alternativo - e isso implicava a aliança com os soldados; e a unidade operária, desafio e confronto com as políticas das direcções o PS e do PCP.»

Francisco Anacleto Louçã, "Ensaio para uma Revolução", Cadernos Marxistas, 1984

segunda-feira, março 22, 2004

O terrível mundo novo



Cartoon de Henry Payne, 6-Set-2002, The Detroit News, Michigan

Já agora, não fique só com as opiniões ou "desopiniões" de Ana Sá Lopes. O artigo de Pacheco Pereira, no "Público" da passada quinta-feira, vale mesmo a pena.
Pacheco Pereira consegue resumir de forma brilhante todos os principais vícios, equívocos e asneiras de que padece a discussão "terrorista" na Europa e em Portugal sobre a tragédia de Madrid. Vale a pena ler. Só um cheirinho: «Não percebe nada de terrorismo quem não percebe que não é a força que atrai as bombas, mas a fraqueza.» Para concluir, logo a seguir: «Se houver esta tentativa socialista e a coligação PSD-CDS for capaz de ter a firmeza absoluta, sem tibiezas, que a situação exige - eu que sempre critiquei a fusão contranatura dos dois partidos -, farei campanha a seu favor todos os segundos que durar o debate eleitoral. Com o PSD, com o CDS, com os socialistas atlantistas, seja lá quem for. Isso é mil vezes mais importante que as vicissitudes da política interna.»
Acredite, Dr. Pacheco Pereira, que cá o esperamos ansiosamente para nos ajudar a colar cartazes. Sem ironias.

O sectarismo editorial

Na edição de sábado passado, a editora de Nacional do "Público", Ana Sá Lopes, escreve a sua habitual crónica semanal. Esta chama-se "Os Nossos Semiólogos do Terror" e, visando ora Carvalhas, ora Pacheco Pereira, segue aquele estilo do "uma no cravo, outro na ferradura", que faz parte do instrumental habitual de quem pretende aparentar "independência" sem a ter.
Tudo para concluir assim:

«Àqueles que vêem na vitória do PSOE a vitória da Al-Qaeda, uma pequena mensagem: não lhes passa, nem de raspão, pela cabeça, que o resultado das eleições espanholas seja uma derrota da forma encontrada pela "grande coligação" para combater o terrorismo? É, provavelmente, esta uma mensagem inútil: o totalitarismo não tem, por costume, procurar outras respostas.»

O blog do Caldas leu muitas opiniões, aqui e pelo mundo fora, comentando que a vitória do PSOE decorreu, de forma determinante, dos bárbaros atentados assassinos de Madrid - o que parece ser incontestável.
Leu reflexões sobre os terroristas quererem influenciar os eleitores ou se convencerem de que o podem fazer - tema sobre que rigorosamente reflectia o artigo de Pacheco Pereira, "comentado" por Ana Sá Lopes.
Leu também variadas críticas à forma precipitada como Zapatero declarou a retirada espanhola do Iraque.
Leu ainda outras preocupações sobre a política do futuro governo espanhol face ao terrorismo, nacional e internacional.
Já leu menos a tendenciosa distorção e simplificação de Ana Sá Lopes: os "que vêem na vitória do PSOE a vitória da Al-Qaeda". Mas, seja como for, lemos tudo isto sempre em pessoas e sectores de pensamento e opinião indiscutivelmente democráticos, em Porugal, na Europa e no mundo.
Ana Sá Lopes é naturalmente livre de ter a sua opinião. E de a publicar, nomeadamente em crónica assinada. Mas o que a leva a crismar de "totalitarismo" (sic) todos os que pensam diferente dela? Ela saberá o que é totalitarismo?
Porém, face a esta grosseira simplificação das opiniões diferentes da sua e a tão absurda qualificação insultuosa, a questão mais importante que fica é esta: quando a editora de Nacional/Política de um jornal, ainda que em crónica assinada, dá mostras de tanto sectarismo e de tamanha militância política no seu sectarismo opinioso, quem pode mais pensar que a editoria desse jornal é independente? Quem pode mais pensar que a editoria política do "Público" é desempenhada com a objectividade, o não envolvimento, a isenção, a imparcialidade exigíveis?

Soares amigo, Ferro está contigo

Com fonte num despacho da LUSA, relatam o Público online e a RTP online que, na mesma ocasião em que pediu o "voto útil" para o PS nas próximas eleições europeias, Ferro Rodrigues saiu em defesa da acção política de Mário Soares, que, na semana passada, defendeu a abertura de canais de diálogo com a organização terrorista Al-Qaeda.
No seu discurso no Centro de Congressos de Lisboa, Ferro Rodrigues gritou entre outras coisas - ele gosta muito de gritar - que os socialistas recusam em absoluto que o actual eurodeputado Mário Soares seja acusado de "capitular" perante o terrorismo. E concluiu: "Daqui comunicamos a Mário Soares que gostamos muito dele, que isso fique bem claro".
Nós também gostamos muito. E quando faz afirmações desastrosas, ainda mais.
O pior é que ficámos todos sem saber o que pensa Ferro Rodrigues sobre a proposta de diálogo político com Osama bin Laden. Já vai sendo costume. Mas a extrema gravidade do assunto exige pronunciamentos claros do PS e não meros recados anónimos intercalados com banais declarações de afecto filial.
Enquanto ficarmos assim, o PS é o paradigma do voto inútil. E perigoso.

Mudança nos Açores já está a caminho

Os líderes do PSD e do CDS-PP, Victor Cruz e Alvarino Pinheiro (à esquerda e à direita, respectivamente, na foto), assinaram no passado sábado, na Aula Magna da Universidade dos Açores, em Ponta Delgada, o acordo de coligação entre os dois partidos, que vai permitir aos açoreanos escolherem uma alternativa de progresso e desenvolvimento nas eleições regionais. O Direito a Pensar relata que foi uma grande festa. Nós não duvidamos. E com bom trabalho político, maior será a festa em Outubro.

[ Diário Insular | Público ]